5 Conselhos para guardar a castidade por São Felipe Néri e São João Bosco

Atualizado: 2 de jul. de 2021


Como conservaremos a castidade? São Felipe Néri costumava sugerir cinco meios: três negativos e dois positivos, agora leremos com a explicação de São João Bosco:


EVITAI AS COMPANHIAS PERIGOSAS


1. Em primeiro lugar, dizia S. Felipe: Fugi das más companhias. “As más companhias corrompem os bons costumes” (1 Coríntios 15,33). Chamamos de companheiro mau o que de qualquer maneira pode ocasionar a ofensa de Deus. Muitas vezes acontecem que mesmo aqueles que no fundo do coração não são maus, tornam-se contudo ocasião para algum ofender a Deus; eis porque não podemos deixar de chamá-lo companheiro perigoso para aquele tal. Frequentemente se veem certas amizades particulares e certas inclinações recíprocas que em si não podem ser tachadas de más, pois nada acontece de gravemente pecaminoso, o que sucede porém é que se um não é mau é ao menos relaxado e frouxo e por isso não quer mais se descartar dessas afeições. Eis que logo se percebe um enfraquecimento da piedade nesses tais, menos devoção, menor frequência aos Sacramentos, menos zelo no cumprimento dos próprios deveres, negligência na observância de certas regras, maior liberdade no modo de falar, assim é que, pouco por vez, um companheiro bom graças à companhia muito frequente de um outro, acha nele urna pedra de escândalo, e pode-se dizer que muito embora ambos sejam bons, um se tomará de obstáculo para o outro. Se os Superiores não dessem uma solução ambos cairiam no precipício. Estas amizades e afeições sempre trazem prejuízos quando menos por serem contra a obediência, eis porque não podemos chamá-las de boas. A desobediência priva os indivíduos da graça especial de Deus e como consequência pouco por vez vai prejudicando as almas. Algum se desculpará:

– Mas aqui não há companheiros maus!

Digo-vos, porém, que pode ser que os haja. O demônio tem auxiliares em toda a parte. Muitas vezes se vai indo por muito tempo e depois é que se percebe ser o tal fulano um lobo rapaz que arruinou grandemente o virtuoso rebanho. Nos anos passados havia muitos que pareciam muito bons e hoje só Deus sabe o que são. Quer isto dizer ou que eles não eram realmente bons ou então, se o eram, houve alguém que os perverteu. Para dizer a verdade, esses tais, graças a Deus são poucos mas… estão entre nós.

– Todos são bonzinhos – repetem alguns. A experiência e não o coração é que nos devem dirigir neste ponto. A experiência nos ensina que entre os apóstolos havia um Judas. E se entre nós também aparecesse algum Judas? Ah! Para longe, para longe os companheiros perigosos! Andemos com os bons, aqueles que de boa mente visitam o Santíssimo Sacramento e encorajam para o bem. O nosso afeto trate os companheiros de forma igual, com a mesma caridade. Evitem-se os que falam mal, os murmuradores, fujamos dos bisbilhoteiros, os que fogem das práticas de piedade, dos que querem ser os nossos únicos amigos. Tomando essas precauções, será muito difícil ao demônio, para não dizer impossível, roubar-nos a virtude da castidade. Ah! Como o demônio se havia de alegrar si ainda caíssemos em suas garras! Dir-nos-ia zombando:

– Tu disseste adeus ao mundo, renunciando a mim e aos meus engôdos?

Oh! Olha de novo aqui o mocinho que queria me combater. Com todos os seus propósitos recaiu na armadilha sem que eu sequer me movesse!

ESTAIS SEMPRE OCUPADOS – nunca fique ocioso

2. Outra coisa que São Felipe de Néri recomendava para que pudéssemos pôr em segurança a virtude da castidade é a fuga do ócio, meio tão importante como evitar os maus companheiros.

Ócio e castidade, dizia S. Felipe, não podem caminhar juntos.

O ócio é um vício que arrasta consigo muitos outros. Fica ocioso quem não trabalha, quem pensa em coisas desnecessárias, quem dorme sem que sinta necessidade. Quando se vê um companheiro ocioso deve-se temer muito por ele, pois sua virtude não está em segurança. Há alguns que no estudo perdem tempo e se põem a olhar de um lado para outro, bocejam durante as aulas, na igreja e quando rezam procuram logo apoiar-se, dormem durante o sermão e suspiram pelo fim das funções e do estudo; alguns ha que não gostam nem sequer dos recreios.

Não estais trabalhando? Trabalha o demônio! O inimigo das almas rodeia sempre, tentando prejudicar-nos e se vê algum desocupado aproveita logo aquela ocasião para realizar os seus desígnios. A vossa mente está desocupada, sem pensar em coisa alguma? Cuidado! O demônio provoca logo imaginações de coisas que vistes, ouvistes, lestes ou encontrastes. Continuais indolentes? Essas imaginações apossam-se da mente e trabalham, trabalham até que não ofereçais resistência e a tentação triunfa. Maior perigo ainda é quando alguém repousa mais do que o necessário e principalmente quando se tem o hábito de repousar durante o dia. Sempre achei perigosíssimo, continua São João Bosco, o repouso depois do almoço; é mesmo este o demônio meridiano de que diz a Escritura insinuar-se até nas melhores almas. Que o diga o pobre Davi! Nesse momento a alma está menos preparada e o corpo saturado predomina por completo. Então o demônio se apodera da imaginação, depois toma conta do intelecto, em seguida subjuga a vontade e eis que teremos a deplorar quedas vergonhosas. Estejamos, pois, muito ocupados; é lícito não só ler e estudar mas também cantar, rir e pular, mas… que o demônio nos ache sempre ocupados, pois o ócio ensina muitas maldades: multam malitiam docuit otiositas. Trabalhemos com todas as forças no campo do Senhor, auxiliemo-nos mutuamente nesse trabalho, animando-nos com um santo entusiasmo no serviço de Deus. Armemo-nos de um grande ardor em promover a sua glória, de um vivo zelo em buscar meios para isso, em suportar qualquer sacrifício pela salvação das almas; deste modo, achando-nos o demônio sempre ocupados, nenhum mal poderá fazer-nos. Mesmo durante os recreios tomemos cuidado para não ficarmos ociosos. O recreio deve ser um verdadeiro alívio da mente, dissipando qualquer melancolia, preocupação ou pensamento molesto e perigoso.

– Mas o corpo está cansado!

Paciência! Procuremos tão só não oprimi-lo com fadiga excessiva de modo a não adoecer; quanto ao resto, trabalho, trabalho sempre que nos conservará a mais bela das virtudes.

TRATA O CORPO COM SEVERIDADE


3. Não nutrais delicadamente o corpo. Isto não quer dizer que não possais lhe dar o necessário, mas sim que não se procure satisfazer o próprio gosto ao nos alimentarmos. São Pedro grita-nos:

Frades, sobrii estote et vigilate – Irmãos, sede sóbrios e ficai em guarda.

Coloca o «sede sóbrios» ainda antes do vigilante, pois quem não é sóbrio não pode ficar em guarda nem ser forte na fé e por isso não poderá vencer aquele que rugindo nos rodeia procurando quem devore. Ao contrário, aquele que é sóbrio pode vigiar e se tornar forte para vencer o demônio. Vai de encontro a este conselho, aquele que se queixa de tudo que lhe põem na mesa: o pão não está bem cozido, à sopa falta o tempera, o suco contém muita água, os quitutes não estão bem-feitos, falta molho à carne, o bife está duro ou crú, o queijo está insípido, o leite não é desta marca, etc. etc. Um se põe a desejar acepipes gostosos, outro procura em todas as ocasiões o modo de obter esta ou aquela coisa, outro arranja bebidas e guloseimas para contentar a gula querendo nutrir delicadamente o corpo. Ah! Não procuremos delicadezas para com este nosso corpo. Coma-se o que se nos põe adiante, sem lamúrias importunas. A única exceção é quando um alimento nos é prejudicial à saúde. Se não nos agrada um prato, comeremos doutro fazendo uma mortificação pelo amor de Deus. A sopa tem muito caldo e está muito rala? Ponhamos pão dentro. Está salgada? Ponhamos água. Falta sal? Coloquemos um pouco. E se um alimento não nos agrada comamo-lo da mesma forma pois assim faremos coisa agradável a Deus. Deste modo podereis ter um freio para o vosso corpo cumprindo com o «Sobru estote» de São Pedro. Além disso de que nos serve tratar bem o corpo? Diz o Espírito Santo:

- Corpus, quod corrumpilur, aggravat animam (este corpo de corrução torna a alma pesada).

Dizia um Santo diretor de almas que o corpo deve ajudar a alma a operar o bem, servindo-a como deve. A alma é a senhora do corpo. Este deve ser considerado como um jumentinho que deve levar a alma, pois quem é dono deve ir a cavalo. Mas infeliz desse dono se dá excessiva liberdade ao seu jumento. Quando se alimenta em excesso o corpo, este quer então comandar e se a alma o contenta em todas as exigências ficará subjugada e seria como um homem carregando o seu jumento. Neste caso o corpo não seria de auxílio, mas sim de obstáculo. Não façamos esta monstruosidade. Cada um conserve o lugar que Deus lhe designou. Evitemos o excesso no comer e principalmente no beber. Muitos jovens que eram exemplos de vigor sadio no que se referia à alma, tornaram-se pedras de escândalo por descuidarem este ponto. Saibamos conservar mortificado este corpo miserável sem satisfazê-lo nunca e assim viveremos felizes e tranquilos na paz de Deus.

As três coisas que vimos são os três meios negativos para conservar a castidade. São Felipe Néri acrescenta ainda duas coisas que são os meios positivos e que postas em prática darão uma sólida base à bela virtude: são a oração e as Santos Sacramentos.

REZAI

4. A oração. Nesta palavra abranjo toda a espécie de orações quer sejam mentais ou vocais, as jaculatórias, os sermões e as leituras espirituais. Quem reza vence, com certeza, qualquer tentação por forte e violenta que seja; quem não reza está em perigo próximo de cair. A oração nos deve ser uma prática muito amada! E como uma arma que sempre devemos ter pronta para nos defender nos momentos de perigo. Recomendo a oração especialmente à noite antes do repouso. Esse é um dos tempos mais perigosos para a bela virtude. Quando não se consegue dormir logo, o demônio suscita inúmeras imagens perversas, fazendo-nos vir à lembrança coisas ouvidas, vistas ou feitas durante o dia. Quem não consegue adormecer logo, recite alguma oração, repita sempre qualquer jaculatória. Se estamos acostumados a conciliar logo o sono armemo-nos preventivamente fazendo bem o santo Sinal da Cruz. Refleti em Deus, Senhor e Juiz sempre presente.

Alguém acorda-se durante a noite? Reze; beije o crucifixo ou alguma medalha, especialmente a da Virgem Auxiliadora que vos recomendo trazer sempre ao pescoço. Nestas circunstâncias constantemente se v que vence quem reza e quem não reza cai em pecado.

Penso que cada qual deve dizer a si próprio:


– Enquanto eu não rezei caí em pecado; comecei a caminhar mal, quando deixei de rezar.

Oh! Façamos também nossas as palavras que o casto José dirigiu à mulher de Putifar que tentava induzi-lo ao mal: – Como poderei eu pecar na presença do meu Deus?

Bem sabemos que Deus nos vê como ousaremos cometer tão grave pecado na Sua vista?

José sabia perfeitamente as graves consequências que sua recusa acarretaria; previa que não desprezariam essa ocasião para lançá-lo no cárcere e condená-lo à morte pois a poderosa e perversa mulher haveria de caluniá-lo cruelmente; mas o pensamento de que Deus está presente e vê toda nossa ação não permitiu que ele se desviasse da senda da virtude. façamos como José, renovemos com frequência este pensamento e assim fugirá de nós qualquer desejo de pecar. Pensemos além disso que somos criaturas à imagem de Deus, recordemos que Deus é o nosso Senhor que vê todas as ações e pensamentos; lembremo-nos de que somos cristãos católicos, isto é, sequazes declarados de Jesus Cristo e que temos nosso corpo santificado pelos Sacramentos. Pensemos que Deus é nosso Juiz e quando formos tentados, digamos:

– Como ousarei desgostar um Deus tão bom que só me tem beneficiado e há de me julgar?

Oh! Sim! Estejamos prontos a mortificar-nos em todas as coisas, mesmo nas lícitas, antes que ofender a Deus. Uma prática que aconselho de um modo especialíssimo é beijar a medalha de Maria Auxiliadora e repetir a jaculatória: Maria, Auxilium Christianorum, ora pro nobis; jaculatória que sempre tem sido oportuna e preciosa. Em toda a parte se veem efeitos extraordinários produzidos por esta confiança em Maria Auxiliadora. Ficai certos de que si Nossa Senhora ajuda a todos tem um cuidado especialíssimo de nós. que somos seus Filhos prediletos. Se invocarmos Maria, seremos socorridos no momento oportuno.

FREQUENTAI A SANTA COMUNHÃO.

FAZEI CONFISSÕES FRUTUOSAS

5. – A última coisa que me resta a vos aconselhar é a frequência dos Santos Sacramentos. Recomendo que se façam muita: Comunhões e todas bem fervorosas, isto é, com devoção e recolhimento (pode ser Comunhão Espiritual). A respeito da Confissão, porém, tenho uma lembrança a vos sugerir. Pelo fruto sabemos se a planta é boa ou má, assim também conforme o fruto das Confissões poderemos concluir se elas foram bem-feitas. Alguns vão se confessar sempre com as mesmas faltas. O que indica isto? Quando a confissão não produz fruto, não é boa. É a realidade! Quando nos confessamos e não se nota melhora é para temer •que as confissões não sejam boas, mas nulas. Isto quer dizer que não tomamos um bom propósito, ou que não o pusemos em prática. Dir-se-ia por vezes que nos vamos confessar por costume querendo enganar a Deus.

Portanto, eu vos recomendo muito que cada qual procure excitar nas próprias confissões uma dor verdadeiramente intensa dos pecados cometidos e além disso, de tempo em tempo, medite nos frutos das confissões passadas. Tomemos propósitos firmes e inabaláveis. Pensemos seriamente em nos mortificarmos na alimentação, no beber e no brincar, em diminuir as murmurações, em sermos sempre parcos em falar, em conversar sempre de assuntos uteis, em sermos mais piedosos na igreja, mais ativos durante o dia, mais pontuais em nos levantarmos da cama. Mortifiquemos um pouco mais os olhares e a gula; façamos algum esforço para melhorar realmente o nosso procedimento. No contrário, iremos adiante sempre com as mesmas culpas e visto que qui spernit modica paulatim decidet - quem despreza as coisas pequenas aos poucos tombará (Ec. 19,1), assim nós nos acharemos em perigo evidente de nos condenarmos, sendo já por natureza tão inclinados ao mal. Se não fizermos esforços verdadeiros, diminuiremos sempre na virtude, na coragem, na oração e no ódio ao pecado.

Vede ao contrário o consolo de quem pouco por vez aproveita sempre as graças do Senhor! Vai sempre crescendo na virtude e quase insensivelmente avança de virtute in virtute, donec videbitur Deus deorum in Sion (Isto é, de virtude em virtude até chegar à visão de Deus no Paraíso). Guardai na lembrança o que dizia São Gregório: non progredi, regredi est (não ir para diante é o mesmo que ir para trás).

Não nos contentemos em tomar parte nas práticas ordinárias de piedade e em fazê-lo do melhor modo possível; recomendemo-nos ainda muitas vezes durante o dia a Deus e à Virgem Santíssima. Invoquemos a Maria com a jaculatória; Maria, Auxilium Christianorum, ora pro nobis que em muitíssimos casos foi reconhecida eficacíssima. Deste modo conservaremos a virtude da Castidade, virtude angélica, mãe de todas as demais (1).

Oração à São Luís Gonzaga:

Ó São Luís, adornado de angélicos costumes, eu indigníssimo devoto vosso, Vos recomendo singularmente a castidade de minha alma e do meu corpo. Rogo-Vos por vossa angélica pureza intercedais por mim ante o Cordeiro Imaculado, Jesus Cristo, e sua Santíssima Mãe, a Virgem das virgens, e me preserveis de todo pecado mortal. Não permitais, que eu seja manchado com nodoa alguma de impureza, mas quando me virdes em tentação ou perigo de pecar, afastai de meu coração todos pensamentos e afetos imundos, e despertando em mim a lembrança da eternidade e de Jesus Cristo crucificado, imprimi profundamente no meu coração o sentimento do santo temor de Deus, e inflamai-me no amor divino, para que, imitando-Vos aqui na terra, mereça gozar de Deus convosco lá no céu. Amém.

Rezar um Pai-Nosso uma Ave-Maria e um Glória (100 dias de indulgência).

 

Referência:

Dom Bosco nos guia à Pureza, p. 138-150.

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