Papa São Leão Magno Refuta o Batismo de Desejo e Sangue

Atualizado: 18 de jul. de 2021


O Magistério ensinou repetidamente que o batismo é o único caminho para a salvação. De fato, em sua carta de 447, há uma passagem extremamente importante em que o Papa São Leão Magno discute como é dada licença para batizar os catecúmenos não-batizados que estão em perigo, e ele declara especificamente que o batismo é «a única salvaguarda da verdadeira salvação para qualquer um em perigo de morte, na crise de um cerco, na angústia da perseguição, no terror do naufrágio.» Isso, é claro, contradiz diretamente a ideia de «batismo de sangue», bem como «batismo de desejo». Observe a referência do Papa a angústia da perseguição (in persecutionis angustiis). A angústia da perseguição refere-se a uma situação em que as pessoas podem ser mortas pela fé em Jesus Cristo. Um catecúmeno não-batizado na «angústia da perseguição» (in persecutionis angustiis) é o cenário exato em que os proponentes do «batismo de sangue» afirmam que uma pessoa poderia ser salva sem o batismo de água. Mas o Papa São Leão Magno ensina o contrário!

Papa São Leão Magno, Carta 16, 21 de outubro de 447, nº 6: «Em caso de necessidade, qualquer tempo é permitido para o batismo. Portanto, como está claro que estas duas épocas [Páscoa e Pentecostes] das quais temos falado são épocas legítimas para batizar os eleitos na Igreja, nós os advertimos, amados, a não associar outros dias a esta observância. Porque, embora existam também outras festas às quais muita reverência é devida em honra de Deus, contudo uma exceção racional e mística deve ser observada por nós para este principal e maior sacramento: não proibindo, entretanto, a licença para socorrer aqueles que estão em perigo, administrando o Batismo a eles a qualquer momento. Pois enquanto nós adiarmos os votos daqueles que não são pressionados por problemas de saúde e viverem em segurança pacífica para essas duas festas intimamente conectadas e relacionadas, não vamos em momento algum recusar isto, que é a única salvaguarda da verdadeira salvação para qualquer um em perigo de morte, na crise de um cerco, na angústia da perseguição, no terror do naufrágio.»

LATIM: «In necessitatis casu omni tempore baptizandum. Unde quia manifestissime patet baptizandis in ecclesia electis haec duo tempora, de quibus locuti sumus, esse legitima, dilectionem vestram monemus ut nullos alios dies huic observantiae misceatis. Quia [Ed. Cap. VI] etsi sunt alia quoque festa, quibus multa in honorem Dei reverentia debeatur, principalis tamen et maximi sacramenti custodienda nobis est, mystica et rationalis exceptio; non interdicta licentia, qua in baptismo tribuendo quolibet tempore periclitantibus subvenitur. Ita enim ad has duas festivitates connexas sibimet atque cognatas, incolumium et in pacis securitate degentium libera vota differimus, ut in mortis periculo, in obsidionis discrimine, in persecutionis angustiis, in timore naufragii, nullo tempore, hoc verae salutis singulare praesidium cuiquam denegemus.»

O Papa São Leão Magno ensina que, para os catecúmenos não-batizados nessa situação, na angústia da perseguição ou de qualquer outro perigo, o batismo de água é a única salvaguarda da verdadeira salvação (verae salutis singulare praesidium). Esse não seria o caso se houvesse outras formas de batismo ou outras formas de ser salvo. Esta citação contradiz diretamente a ideia de «batismo de sangue» e «batismo de desejo» para catecúmenos não-batizados. Esta passagem de Leão Magno também refuta aqueles que alegam falsamente que os pais da Igreja foram unânimes em ensinar que o «batismo de sangue» pode substituir o batismo de água. Não, eles não foram. Como ele era Papa e pai da Igreja, a passagem de Leão, que contradiz diretamente as ideias de «batismo de sangue» e «batismo de desejo», supera qualquer citação de um pai ou pais da Igreja que disse algo diferente.

Além disso, se o martírio fosse um caminho para ser justificado na ausência do batismo, como algumas pessoas afirmam erroneamente, então por que a Igreja teria mesmo batizado apressadamente catecúmenos que estavam em perigo de perseguição? Por que não apenas deixá-los continuar sua preparação e receber o «batismo de sangue», se chegar a esse ponto? O ensinamento da Igreja de que tais catecúmenos não-batizados deveriam ser apressadamente batizados durante uma perseguição, antes de serem batizados em uma situação normal, prova que o «batismo de sangue» não era um certo modo de justificação, como era conhecido o batismo de água. Não fazia parte da regra de fé. Receber o batismo de água é a única maneira de ser salvo. Esse é o ensinamento da Igreja Católica e a verdadeira regra de fé. É o que encontramos em todos os pronunciamentos magistrais sobre o assunto. Veja também, por exemplo, nosso vídeo e artigo sobre o importante decreto do Papa São Sirício sobre o batismo.

De fato, em sua Carta, o Papa Leão usa linguagem autoritária e menciona sua posição como ocupante da Sé de Pedro. Ele afirma:

Papa São Leão Magno, Carta 16, 21 de outubro de 447, nº 1: «Segundo os preceitos de Deus e as admoestações do Apóstolo, somos incitados a vigiar cuidadosamente o estado de todas as igrejas: e, se for encontrado algum lugar que precise ser repreendido, lembrar os homens com cuidado rápido, seja da estupidez da ignorância, seja da antecipação e da presunção. Pois se formos avisados pelo próprio mandamento do Senhor, pelo qual o bem-aventurado Apóstolo Pedro repetiu três vezes a injunção mística, para que aquele que ama a Cristo alimente as ovelhas de Cristo, somos compelidos pela reverência àquele que, pela abundância da Divina Graça, nós mantemos, para evitar o perigo da ociosidade, tanto quanto possível: para que a confissão do Apóstolo chefe, através da qual ele testificou que ele amava a Deus, não seja encontrada em nós: porque se ele (através de nós) alimenta descuidadamente o rebanho tantas vezes recomendado a ele, ele provou não amar o Pastor-chefe.»

Na mesma Carta, o Papa (citando João 1:13) identifica os nascidos do Espírito Santo no Sacramento do Batismo como aqueles nascidos «não do sangue, nem do desejo da carne, nem do desejo do homem».

Papa São Leão Magno, Carta 16, 21 de outubro de 447, nº 7: «… o poder pelo qual eles renascem do Espírito Santo, do qual se diz, “que NÃO NASCERAM do SANGUE, nem do DESEJO DA CARNE, nem do DESEJO DO HOMEM, mas de Deus” (João 1:13).»

A verdade é que, se alguém tem boa vontade e deseja sinceramente o batismo e está disposto a morrer por Cristo, Deus fará com que essa pessoa receba o batismo de água e seja trazida para a verdadeira Igreja. Mas ninguém pode ser salvo sem o batismo, pois a menos que um homem renasça da água e do Espírito no Sacramento do Batismo ele não pode entrar no Reino de Deus.

Papa Eugênio IV, Concílio de Florença, «Exultate Deo», 22 de Novembro de 1439: «O primeiro lugar entre os sacramentos o ocupa o santo Batismo, que é a porta da vida espiritual; por ele nos fazemos membros de Cristo e do corpo da Igreja. E havendo pelo primeiro homem entrado a morte em todos, “se não renascermos pela água e o Espírito” como diz a Verdade, “não podemos entrar no reino dos céus” [João 3:5]. A matéria deste sacramento é água verdadeira e natural.»


 

Referências:

Tradução de "Pope St. Leo The Great Directly Contradicts 'Baptism Of Blood' And 'Baptism Of Desire'", escrito por Ir. Pedro Dimond.


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