Que é Pecado Mortal e Venial?


Que é pecado?


O pecado é definido por Santo Agostinho: “Uma palavra, uma ação, um desejo contrário à lei eterna” (Contra Faustum, 20, 27).

Para haver o pecado propriamente dito requer-se, de uma parte, a liberdade do homem praticar ou omitir uma ação; de outra, a lei de Deus que será violada e a advertência da mente a esta violação.

O pecado é material (impropriamente dito), se a transgressão é involuntária e não conhecida; é formal, quando deliberadamente se viola a lei.

Para um pecado formal se requerem três condições: a) a malícia do objeto; b) advertência atual, ao menos confusa da mente; c) o consentimento da vontade. TEOLOGICAMENTE OS PECADOS DIVIDEM-SE EM MORTAIS E VENIAIS.

PECADO MORTAL

I. Pecado mortal é a transgressão da lei divina em matéria grave, realizada com plena advertência e consentimento deliberado. As condições para o pecado mortal são, portanto, três:


a) matéria grave em si ou nas suas circunstâncias;
b) a plena advertência quanto à malícia do ato;
c) o deliberado consentimento da vontade.

1. Matéria grave. Pode ser tal em si mesma, pelas circunstâncias próximas ou pelo seu fim. A maior ou menor gravidade da matéria se deduz: a) da Sagrada Escritura, a qual define alguns atos como abomináveis e que excluem do reino de Deus aqueles que os cometem, tornando-os merecedores do fogo eterno; b) do magistério infalível da Igreja que declarou graves alguns pecados; c) do consenso unânime dos Padres e dos Doutores; d) da natureza mesma da ação ou omissão ilícita, se é, por exemplo, injuriosa a Deus, danosa ao próximo, enquanto lesa à justiça ou à caridade.

Em relação à gravidade da matéria os pecados mortais se distinguem:

a) Mortais “ex toto genere suo”, se não admitem parvidade de matéria; nunca o pecado mortal em si mesmo pode tornar-se venial: por exemplo, a heresia formal, a fornicação etc.

b) Mortais “ex genere suo”, se admitem parvidade de matéria, isto é, têm a possibilidade de ser, dentro da mesma espécie moral, mortais ou veniais; por exemplo, o furto de uma grande soma ou de poucos cruzeiros.

Os pecados veniais podem ser também “ex toto genere suo” veniais, aqueles que permanecem sempre veniais, desde que não haja uma circunstância que mude a espécie do pecado; a prodigalidade, por exemplo. Podem estas ações transformar-se em pecados mortais, ou por uma consciência errônea, ou por qualquer outra circunstância que mude a sua espécie.


2. Plena advertência. Tem-se plena advertência, quando se percebe, mesmo confusamente, ou se suspeita ser a ação gravemente ilícita. Tal advertência nos semidormentes ou semidistraídos, não é tal que permita chegarem ao pecado mortal. O mesmo vale para aqueles que agem sob a pressão de uma perturbação grave, que não lhes permite notar o que fazem. Sobre a responsabilidade dos doentes mentais.

3. Consentimento deliberado. Existe quando, conhecida a malícia e a culpabilidade da ação, ela é deliberadamente cometida. O consentimento pode ser perfeito ou imperfeito, segundo é de todo livre, ou falta a suficiente deliberação.

Para o pecado mortal, exige-se um consentimento perfeito, porque a malícia perfeita requer o ato humano perfeito. Praticamente, pode acontecer duvidar o confessor que haja ou não pleno consentimento ou plena advertência; em tal caso, pode, com muita prudência, fazer alguma pergunta a propósito; e se fica ainda a dúvida, julgue das condições espirituais da consciência do penitente; por exemplo, nas pessoas timoratas, não se supõe o consentimento, a menos que conste com certeza que houve. Se é impossível fazer tais suposições, remeta o caso ao juízo divino e absolva o penitente.

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PECADO VENIAL

II. O pecado venial é a transgressão da lei divina em matéria leve, ou mesmo em matéria grave, mas com imperfeita advertência e imperfeito consentimento.

Como para o pecado mortal, assim também para o pecado venial se requerem três condições;


a) a transgressão da lei, mas aqui em matéria leve;
b) advertência, ainda que mínima sobre a malícia do ato;
c) consentimento, apesar de imperfeito.

III. Conclusões: 1. Um pecado mortal pode tornar-se venial pela: a) parvidade da matéria; b) consciência invencivelmente errônea, que julga leve uma matéria grave; c) imperfeição do ato, seja por parte da advertência da mente, seja por parte do consentimento da vontade.

2. Um pecado venial tornar-se mortal: a) pela consciência errônea: se alguém crê seja uma palavra grosseira grave blasfêmia e, contudo, a profere, blasfema; b) pelo fim gravemente ilícito do operante: adular uma jovem para seduzi-la; c) pelo desprezo formal da lei que obriga sob culpa leve; d) pelo escândalo grave, ou pelo grave dano que pode resultar de uma ação levemente má: uma palavra levemente obscena proferida diante de crianças; roubar a agulha da máquina de um alfaiate, o qual não poderá mais costurar com grave dano seu; e) pelo perigo que se corre de pecar gravemente; f) pela coalizão de matéria, como sucede no furto.

Verifica-se o desprezo formal da lei, quando alguém a transgride conscientemente porque despreza a mesma autoridade que a criou. Dá-se o desprezo material, quando se despreza o preceito como coisa de pouca importância, ou a pessoa do Superior enquanto homem cheio de defeitos, incapaz, imprudente etc.

Embora os pecados de que estamos tratando sejam aqueles que devemos evitar com muito cuidado, não pensemos que você seja dispensado da vigilância em relação aos pecados veniais. Eu te convido a não ser um daqueles cristãos pouco generosos que não têm escrúpulos em cometer um pecado porque é venial. Lembre-se destas palavras da Sagrada Escritura:


“Aquele que desprezar as coisas pequenas, cairá pouco a pouco” (Ec. 19,1).

“Não desprezem os pecados veniais, porque eles parecem insignificantes”, diz Santo Agostinho, “mas temam-nos porque são numerosos. Pequenos animais em grande número podem matar um homem. Grãos de areia são muito pequenos, mas, se acumulados, podem afundar um navio. Gotas de água são muito pequenas, mas com que frequência elas se tornam um rio poderoso, uma torrente furiosa, varrendo tudo diante de si!”

O Santo Doutor continua observando que embora nenhum número de pecados veniais possa constituir um pecado mortal, ainda assim essas falhas mais leves nos predispõem a faltas maiores, que muitas vezes se tornam mortais. São Gregório observa com igual verdade que defeitos leves às vezes são mais perigosos do que os maiores, pois os últimos, quando contemplamos o seu horror, despertam remorso e resoluções de emendas; mas os primeiros causam menos impressão em nós, e assim, ao recair facilmente neles, logo contraímos um forte hábito.

Finalmente, o pecado venial, por mais leve que seja, é sempre prejudicial à alma. Isso enfraquece nossa devoção, perturba a paz de nossa consciência, diminui o fervor da caridade, exaure a força de nossa vida espiritual e obstrui a obra do Espírito Santo em nossas almas. Peço-lhe, então, que faça tudo o que estiver ao seu alcance para evitar esses pecados, pois não há inimigo fraco demais para nos prejudicar se não fizermos resistência.


Raiva leve, glutonaria, vaidade, palavras e pensamentos ociosos, gargalhadas imoderadas, perda de tempo, sono demasiado, mentiras triviais ou lisonjas - tais são os pecados contra os quais eu particularmente os advertiria.

É necessária uma grande vigilância contra ofensas desse tipo, pois abundam ocasiões de pecado venial. Gostaria, também, de compartilhar os nove pecados veniais segundo Santo Antônio Maria Claret, a saber:

1. O pecado de dar entrada no coração de qualquer suspeita não razoável ou de opinião injusta a respeito do próximo.

2. O pecado de iniciar uma conversa sobre os defeitos de outrem, ou de faltar à caridade de qualquer outra maneira, mesmo levemente.

3. O pecado de omitir, por preguiça, as nossas práticas espirituais, ou de as cumprir com negligência voluntária.

4. O pecado de manter um afeto desregrado por alguém.

5. O pecado de ter demasiada estima por si próprio, ou de mostrar satisfação vã por coisas que nos dizem respeito.

6. O pecado de receber os Santos Sacramentos de forma descuidada, com distrações e outras irreverências, e sem preparação séria.

7. Impaciência, ressentimento, recusa em aceitar desapontamentos como vindo da Mão de Deus; porque isto coloca obstáculos no caminho dos decretos e disposições da Divina Providência quanto a nós.

8. O pecado de nos proporcionarmos uma ocasião que possa, mesmo remotamente, manchar uma situação imaculada de santa pureza.

9. O pecado de esconder propositadamente as nossas más inclinações, fraquezas e mortificações de quem devia saber delas, querendo seguir o caminho da virtude de acordo com os caprichos individuais e não segundo a direção da obediência.

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